Os caras-pintadas 2.0

Hoje vivemos em um mundo novo. O mundo do imediatismo, da informação rápida e da nova safra de engajados por uma causa comum: pessoas que lutam pelos seus direitos no conforto do seu lar. É até engraçado observar o antes e o depois ou, até mesmo, o atual, mas em outros países. Para entender melhor, vamos lembrar o que aconteceu no impeachment de Fernando Collor: todos os estudantes pintaram a cara e foram para as ruas reivindicar a saída de um Presidente que, mesmo sendo eleito pelo o poder da mídia, teve a mesma como inimiga, usada como vitrine das atividades desses protestantes.

Hoje, o ato de protestar virou motivo de piada. Hoje, colocar uma “hashtag” nos assuntos mais comentados do Twitter ou mobilizar uma verdadeira corrente de linguiça no Facebook se tornou mais efetivo no ponto de vista dos estudantes. “Levantar da cadeira para que, se eu posso mostrar para o mundo a minha indignação?”, dizem eles.

Um belo exemplo disso, foi o #ForaSarney, que deu em que? Em nada. Não preciso nem detalhar isso. Outro bom exemplo de coisa muito mobilizada pela internet que teve seu objetivo furado no meio do caminho como um pneu dianteiro de bicicleta após passar sobre um prego foi o projeto da “Lei Ficha Limpa” que, graças aos panos quentes (panos quentes não, balde de água fria mesmo) das autoridades, teve seu efeito retardado e, os políticos que deveriam ser punidos por ela, hoje gozam de toda a sua vantagem política e, de quebra, riem de toda essa bagunça.

Lá fora, inicialmente nos Estados Unidos, os “Occupy” são uma nova forma de protesto que, diferentemente dos alunos da USP, tem como objetivo ocupar (literalmente falando) pacificamente pontos estratégicos para protestar em prol de um objetivo comum e, principalmente, sem infringir nenhuma lei.

Mas no final mesmo, tudo vira piada. Estamos cercados de piadistas dos mais diversos e duvidosos gostos. E, também (ou em sua maioria), dos que ficam revoltadinhos com a sua piada, pois você não se mobilizou ferozmente para assinar uma petição feita por pessoas mal informadas sobre um assunto. É triste, mas a má interpretação de texto será um dos principais fatores para o verdadeiro fim do mundo.

As piadas, junto com as manifestações de cadeira dos novos caras-pintadas, são as principais atrações das redes sociais hoje em dia. A realidade hoje é triste, infelizmente. Veja alguns exemplos: Cai um Prefeito na visão do piadista: “Nossa caiu o Prefeito Tal de tal Cidade. Pênalti para o Corinthians!”. Caiu um Prefeito na versão do engajado: “Já vai tarde. Isso é pouco. Deveria ser preso! #ForaPrefeitoTal”.

E esse ciclo vicioso vai desde Prefeitos, passando por autoridades internacionais, artistas grávidas, desastres ambientais, guerras e até Ministros. Mas, uma coisa é certa: a única coisa que se cair pode gerar uma enorme revolta e, até mesmo, uma guerra civil é uma só: A INTERNET.

Publicidade

Sem comentários ainda

Deixe um comentário